terça-feira, 15 de novembro de 2011

Max Weber e a análise da religião no capitalismo



CONTEXTO HISTÓRICO

Ao contrário da França e da Inglaterra, a Alemanha teve um desenvolvimento Industrial tardio (já no século XIX) e sob influência de correntes filosóficas diferentes dos demais, tais como a história e a antropologia.
Segundo Cristina Costa (2005, p.94) "Devemos distinguir no pensamento alemão a preocupação com o estudo da diferença, característica  de sua formação política e de seu desenvolvimento econômico. Adicione-se a isso a herança puritana com seu apego à interpretação das escrituras e livros sagrados. Essa associação entre história, esforço interpretativo e facilidade em discernir diversidades caracterízou o pensamento alemão e influenciou os cientistas."

Enquanto o positivismo considera a história como processo universal de evolução, cujos estágios o cientista pode perceber pelo método comparativo, capaz de aproximar sociedades humanas em todos os tempos e lugares, Weber se opõe a essa concepção, pois acredita ser fundamental a análise das diferenças sociais como gênese e formação e não como estágios de evolução.

Para Weber, todo historiador trabalha com dados esparsos e fragmentários, sendo necessária a utilização de métodos interpretativos para a compreensão e objetivação dos fenômenos sociais.

A AÇÃO SOCIAL

Seu principal objeto de estudo era a Ação Social (a conduta humana dotada de sentido) tornando assim o agente social , cabendo ao cientista descobrir os sentidos e objetivos presentes na realidade social.
Por outro lado Weber distingue a ação social da relação social. Para que se estabeleça uma relação social é preciso que o sentido da ação seja compartilhado. Por exemplo, um sujeito pede uma informação a outro estabelecendo uma ação social, pois não tem um objetivo compartilhado. Numa sala de aula, em que o objetivo da ação dos vários sujeitos é compartilhado, existe uma relação social.

Weber propunha que o cientista, como todo indivíduo em ação, também age guiado por seus motivos, sua cultura e tradições, sendo impossível descartar-se de sua cultura e suas prenoções como propunha Durkhien indicando que qualquer que seja a perspectiva adotada pelo cientista, ela sempre será parcial, sofrendo influências subjetivas.

O TIPO IDEAL

Para atingir a explicação dos fatos sociais, Weber propôs um instrumento de análise que chamou de "tipo Ideal". 
"Trata-se de uma construção teórica abstrata a partir dos casos particulares analisados. O cientista, pelo estudo sistemático das diversas manifestações particulares, constrói um modelo acentuando aquilo que lhe pareça característico ou fundante. Nenhum dos exemplos representará de forma perfeita e acabada o tipo ideal, mas manterá com ele uma grande semelhança e afinidade, permitindo comparações e a percepção de semelhanças e diferenças" (COSTA, 2005).

Por analogia, podemos comparar o tipo ideal com o arquétipo de Jung. Um modelo perfeito dentro das especificações esperadas para determinado assunto, e que serve de mostra para as imperfeições em contraste daqueles a quem são comparados.

A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO

Um dos trabalhos mais conhecidos e importantes de Weber é A ética protestante e o espírito do capitalismo, no qual ele relaciona o papel do protestantismo na formação do comportamento típico do capitalismo ocidental moderno. A partir de dados estatísticos Weber concebe a proeminência de adeptos da Reforma Protestante entre os grandes empresários e possuidores de riquezas e meios de produção.

Os aspectos mais relevantes da análise foram:
1 - A relação entre religião e a sociedade não se dá por meios institucionais, mas por intermédio de valores introjetados nos indivíduos e transformados em motivos da ação social. A motivação do protestante, segundo Weber, é o trabalho, enquanto vocação e dever, como um fim absoluto em si mesmo, e não o ganho material obtido por meio dele.
2 - Buscando sair-se bem na profissão, mostrando sua própria virtude e vocação e renunciando aos prazeres materiais, o protestante puritano se adapta facilmente ao mercado de trabalho, acumula capital e o reinveste produtivamente.
3 - Ao cientista cabe, segundo ele, estabelecer conexões entre a motivação dos indivíduos e os efeitos de sua ação no meio social.
4 - O capitalismo promove a separação entre empresa e residência, a utilização técnica de conhecimentos científicos e o surgimento do direito e da administração racionalizados.

BIBLIOGRAFIA
COSTA, Cristina. Sociologia: Introdução à Ciência da Sociedade. 3ª Ed. - São Paulo: Ed. Moderna, 2005.

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