quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CIÊNCIA E RELIGIÃO PODEM ANDAR JUNTAS? DUELO RODOLFO RANGEL X FELIPE MUNHOZ - PARTE 1



CONSIDERAÇÕES INICIAIS (RODOLFO)


Meu caro amigo.
Há não muito tempo discutíamos este mesmo tema sob dois prismas diferentes e não convergentes; talvez por falta de entendimento do que cada um expunha ou mesmo por falta de experiências vividas.
Hoje, após algum tempo passado e com meu ingresso no curso de psicologia alguns posicionamentos meus mudaram, outros se fortaleceram e outros ainda me são novos, por isso será um prazer atualizarmos nossas idéias como antes fazíamos durante horas, mesmo num sábado a noite.

A primeira idéia que hoje vejo sob outro ângulo é a de que discutíamos se a ciência e a religião poderiam andar juntas – segundo o entendimento científico – (pelo menos no meu entendimento era o discutido...) em resumo: se poderia haver uma religião científica ou uma ciência religiosa! Hoje vejo porque não tivemos grandes resultados, pois nenhum dos dois lados da moeda não se propõe a esse papel, mesmo o espiritismo tendo em seu corpo doutrinário algumas conclusões de cunho científico, seu foco não é essa discussão e nem essa prova. E consigo conceber também que a ciência apesar de ter surgido da negação do miraculoso, para gerar resultados palpáveis e satisfatórios para o bem estar da humanidade, hoje já concebo a ciência em seu próprio papel, não mais de oposição ao fantástico e sobrenatural, mas sim daquela que busca resultados concretos.

Não creio, porém, que seja interessante discutirmos sobre se o aspecto moral poderia ser um elo entre as duas disciplinas, pois o fator moral também é visto sob muitos prismas, chegando mesmo a não haver possibilidades de chegamos a um consenso em tão breves linhas disponíveis...

Apesar de continuar adepto da doutrina espírita, hoje me posiciono sob a visão da ciência psicológica de entendimento do ser humano e suas diversas manifestações. Já explico!
Desde que Freud desenvolveu a Psicanálise livrando muitos pacientes histéricos de serem exorcizados pela igreja como possuídos pelo demônio (http://www.youtube.com/watch?v=dZ0Qw48PWgo) , abriu-se um novo caminho de entendimento do funcionamento psíquico humano... Temos a prova empírica e clínica de que as concepções de mundo de cada indivíduo são únicas (e isso inclui moral, religião, etc.) mesmo dentro de um determinado grupo de mesmas ideologias. (1) Cada situação de valor emocional é para o indivíduo a formação de um caminho neuronal que desencadeia a maneira de uma corrente elétrica, um circuito único, próprio e resistente a mudanças fáceis... Quando essas correntes neuronais são formadas de um modo impróprio podemos afirmar que o indivíduo é um escravo de si mesmo, já que não são fáceis de reestruturarem. Com isso quero apenas dizer que do ponto de vista psicológico a sanidade mental é quando o ser vive pleno de suas convicções, sejam quais forem, pois a dúvida por si mesma dos seus ideais gera a sensação de desprazer devida à desestruturação de uma personalidade que demorou anos a ser construída, e com isso voltamos ao velho dilema da verdade absoluta... Será possível encontrá-la? A questão continua, pois ainda somos limitados mesmo com nossas ferramentas de investigação (ciência), pois vemos na fenomenologia o questionamento de que a ciência empírica não leva em conta a subjetividade do sujeito, e a subjetividade por si só é alguma coisa... (2) 

Se levarmos em conta o posicionamento deslocado da psicologia (como ciência) em relação às concepções e crenças do sujeito, incluindo as religiões, assim como todo e qualquer corpo doutrinário teórico como manifestações adquiridas e que contribuem para o funcionamento psíquico normal do cidadão, confortando-o nas situações difíceis e formando uma matriz psicológica de observação da realidade poderemos conceber um elo entre a religião e a ciência.

Bom, essas são minhas considerações iniciais. Grande abraço

(1) FREUD, Sigmund. Publicações pré-psicanalíticas e esboços inéditos (1886-1889). Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. 1. Rio de Janeiro: IMAGO. 1996
(2) FENOMENOLOGIA. http://pt.wikipedia.org/wiki/Fenomenologia. Acessado em 23/01/2012 às 17:54.

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