RÉPLICA - RODOLFO RANGEL
BOM
Tal qual Jack estripador, vamos por partes:
(...) Mas então, o qual é o mérito em simplesmente “acreditar” em alguma coisa?
Nenhum. Crianças acreditam em papai Noel, tem gente que acredita em saci-pererê (...)
Partamos de uma premissa básica: A verdade absoluta é inalcançável em nosso atual estágio evolutivo. Daí se pode concluir que: se torna precipitado tanto o ateu em crer o fim do corpo orgânico como o final de tudo sem ter outra prova além da decomposição corporal, sendo que não temos ainda provas concretas de onde se localiza a sede da consciência (como já muito discutido) e também se precipita o religioso que afirma possuir um projeto de imortalidade, e mais, a salvação eterna!
Você poderia me perguntar então qual a medida mais sensata para a resolução desse paradoxo, já que por um lado não possuímos a verdade absoluta e por outro, como você mesmo disse, a crença desmedida em coisas fora da realidade podem ser tão prejudiciais a sociedade? Sua resposta pelo que já conversamos seria com certeza a ciência como base de observação e a humildade do espírito científico através do princípio da falseabilidade e humildade de manter-se sempre fiel a dúvida pra evolução. Porém como você e eu dissemos em comum acordo mesmo dentro de um corpo científico há divergência de pensamento entre os adeptos, por fatores culturais, ambientais, hereditários, etc. A resposta está justamente na delimitação do que é aceitável para a sociedade e do que é prejudicial tanto para a mesma quanto para o indivíduo. Assim há a possibilidade de uma diversidade de crenças individuais, desde que não sejam prejudiciais para a sociedade nem para o próprio indivíduo. Se alguém acredita em papai Noel e essa crença não lhe trás prejuízo não teríamos problema, mas sim quando vemos psicóticos ou fanáticos praticando atentados e matando pessoas. Essa delimitação como sabemos é feita de vários modos, tais como as leis, as definições de saúde e patologia, etc. Portanto já temos uma união, pelo menos na teoria, entre ciência e as várias religiões e doutrinas existentes... Infelizmente há uma grande parte dos adeptos que não enxerga isso e não respeita a crença pessoal de cada um como o amigo mesmo frisou.
(...) Para que o senso de realidade de um seja verdadeiro, o senso de realidade do outro tem que ser falso, mesmo que ambas as formas de interpretar a realidade sejam embasadas justamente nas mesmas premissas.(...)
Discordo do amigo, pois variadas podem ser as formas de se observar a mesma realidade, citando Einstein: “Todo ponto de vista não é nada mais do que a vista de certo ponto.” Creio que os argumentos acima já demonstram o mencionado e como é possível coabitarem variados sensos de realidade num mesmo lugar, desde que pautados pelo respeito mútuo e não com tentativas de imposição como vemos muitos fazerem.
(...) Quando se defende sua religião, o que está em jogo não é somente sua forma de ver o mundo ou de se comportar. É o sentido de sua existência. E o seu PROJETO DE IMORTALIDADE. (...)
Concordo quanto a imortalidade da consciência ser a premissa básica de toda religião, mas daí a afirmar que todas as pessoas o são por simplesmente terem medo da morte e procurarem um conforto na imortalidade já é outra história. Se analisarmos a questão por esse prisma veremos uma precipitação também no ateu de aceitar sem provas que a morte é o fim simplesmente por ser o fim do corpo somático. Apesar de muitas serem as evidências, não existe prova definitiva da inexistência de outras dimensões.
(...) Se o termo “espiritualidade” está relacionado a tudo aquilo que não é ligado à matéria, mas ao significado de toda a existência, que pode ser “experimentado” pela consciência humana, então a discussão é muito mais ampla.(...)
Talvez eu tenha conseguido realmente o que mais procurava... A autonomia emocional e moral quanto a essas questões, pois não consigo nem conceber mais querer empurrar goela abaixo de alguém uma verdade minha só por orgulho ou sei lá o que. Com toda certeza do mundo, pelo menos eu não concebo mais uma religião como única base de moral ou mesmo de explicação para questões metafísicas, pois como já dito nas considerações iniciais já foi mais que provado que concepções humanas são expressões possivelmente falhas em algum ponto inexplorado.
Quanto ao termo espiritualidade com certeza estamos nos referindo ao significado de toda existência que pode ou NÃO pode ser experimentada pelo ser humano. Tanto que a percepção extra-sensorial, a mediunidade em especial é alicerçada no conceito de matéria escura, ao se afirmar que o ser humano possui em sua própria composição corporal além da matéria “clara” visível por nossos instrumentos por refletir a luz, também a matéria escura que não reflete a luz, e dentro dessa concepção estaria o fenômeno mediúnico na transmissão das mesmas energias ao aparelho receptor do médium. Infelizmente, porém essa é uma das limitações que hoje enfrentamos com nossa aparelhagem científica e que esperamos seja superada em breve. Enquanto essa questão não se resolve as seitas espiritualistas têm a sua certeza com a prática... seja ela enganosa ou verdadeira, e creio que isso seja aceitável desde que seja respeitada a crença de cada um.
Bom, por enquanto é isso!
Abraço!

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